“A morte não discrimina. Sejam santos ou pecadores, no fim, são todos iguais” p.321
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Nem mesmo as temperaturas gélidas de um típico inverno da Nova Inglaterra se comparam à cena arrepiante de carnificina descoberta na capela de Nossa Senhora da Luz Divina. Dentro do convento isolado, jazem duas freiras: uma morta e a outra gravemente ferida, vítimas de um agressor de selvageria indescritível.
O crime brutal parece não ter motivo aparente, mas a autópsia realizada pela médica legista Maura Isles na freira falecida revela uma surpresa chocante. Em seguida, outro corpo é encontrado, mutilado a ponto de tornar-se irreconhecível.
Juntas, Isles e a detetive de homicídios Jane Rizzoli desvendam um horror ancestral que conecta esses terríveis assassinatos.
À medida que segredos há muito enterrados vêm à tona, Maura vê-se inevitavelmente atraída para o cerne de uma investigação que a afeta profundamente e para uma revelação iminente sobre a identidade do assassino... tão devastadora que se torna difícil de acreditar.
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O Pecador, terceiro volume da série Rizzoli & Isles, de Tess Gerritsen, apresenta ao leitor um ritmo e uma atmosfera que contrastam com os volumes anteriores, O Cirurgião e O Dominador.
Nos dois primeiros livros, Jane Rizzoli domina a narrativa, e acompanhamos uma caçada a um serial killer. Também temos acesso aos pensamentos do assassino; já em O Pecador, isso não ocorre.
Aqui, o foco recai sobre os conflitos internos e os problemas pessoais de Rizzoli e Isles, duas mulheres fortes que tentam conciliar uma vida pessoal conturbada com a rotina rígida de trabalho.
A condução da trama é diferente, não temos um thriller policial centrado no suspense e na ação. Em contrapartida, somos imersos nos pensamentos, desejos e angústias das personagens, o que acaba deixando a investigação um tanto de lado. Na minha opinião, o enredo policial foi ofuscado pelos relacionamentos pessoais das protagonistas.
Um ponto positivo é que passamos a conhecer melhor a médica-legista Maura Isles, que havia sido, de certa forma, negligenciada anteriormente. Porém, a Dra. Isles me pareceu uma mulher mal-humorada e ranzinza em excesso, quase amarga. Infelizmente, não consegui sentir empatia pela personagem.
A história só começa a deslanchar de fato no último terço do livro, quando os detalhes passam a se encaixar e fazer mais sentido. Ainda assim, a resolução foi um tanto previsível, o que me decepcionou um pouco.
Eu estava cheia de expectativas, já que os livros anteriores foram excelentes, mas O Pecador ficou aquém do esperado. Essa mudança de foco foi desestimulante para mim.
Embora eu tenha gostado mais dos volumes anteriores, é óbvio que O Pecador é um bom livro, afinal estamos falando de Tess Gerritsen. Então, leiam! Apesar das minhas ressalvas pessoais, a leitura ainda vale a pena.












